Xamanismo na Luz do Dia
Os primeiros estudos modernos interessaram aos xamãs da Sibéria e os etnólogos se acostumaram a usar o termo xamã para desenhar, nas tribos primitivas, os especialistas do mundo interior. Aqui no Brasil usa-se o nome pajé. Na América do Norte a palavra inglesa é medicine-man. Feiticeiro e bruxo são outros nomes usados, geralmente com hostilidade, por autoridades religiosas. Psicologia é um outro nome, que abrange, com clareza e prudência, apenas uma parte do profundo mistério escondido no mundo interior. Os xamãs vão mais profundo, com ingenuidade, não sabem muito bem se explicar e usam referências diferentes das nossas.
A história de Sereptie é um clássico do xamanismo. Permite compreender, com clareza, o acontecimento que transforma alguém em xamã, em pajé, em mago. Sereptie era um esquimó comum, quando foi atingido por uma doença mortal para os esquimós: a varíola. Estava agonizando, em coma. A consciência de Sereptie já estava no além. No além, Sereptie encontrou uma mulher vermelha. Fez amizade com ela. Teve sorte: a mulher vermelha nada mais era do que a Deusa da varíola. Curou Sereptie, que saiu do coma. Ressuscitou. Agora era um xamã: alguém que morreu e ressuscitou. Conhecia o caminho do além, de ida e de volta! Sabemos muito bem que a varíola não é uma Deusa vermelha. Mas um esquimó não tem noção nenhuma de viruses. O que ocorreu é muito claro. No estado alterado de consciência do coma, Sereptie entrou em contato telepático com uma inteligência não humana, a inteligência dos viruses. (Quem fala com as plantas compreende muito bem o que estou dizendo). Mas, para nós, a inteligência é humana: o inconsciente dele fez uma tradução, traduziu esse encontro na forma humana de uma mulher vermelha. Depois, quando alguém ficava doente com varíola, Sereptie chamava a mulher vermelha (entrava em telepatia com os viruses e o doente se curava. Um africano vivenciou a mesma morte e ressurreição. O inconsciente dele traduziu a telepatia com os viruses na forma humana de Omolu, o Orixá das doenças. A história é sempre a mesma. Um xamã espontâneo é alguém que, atingido por uma doença grave, se salvou. Conhece o caminho do além, de ida e de volta. É capaz de mostrar o caminho. As iniciações xamânicas sempre praticam rituais de morte e de ressurreição, às vezes usam venenos, drogas psicodélicas, causando um coma parcial. Como os mistérios egípcios. Como os grandes mistérios gregos. Plutarco escreveu com clareza: "todos nós conheceremos os segredos dos iniciados no momento da morte." Até hoje, as sociedades iniciáticas usam rituais de morte e de ressurreição. Os xamãs mostraram o caminho do além. Estamos seguindo o caminho. Viajamos no astral. Entramos, conscientemente, no subconsciente. Karl Gustav Jung chamava isso de "imaginação ativa." Robert Desoile falava de "sonho despertado". Vamos voltar às origens e viver aventuras xamânicas. Vamos fazer isso como pessoas do fim do século XX, compreendendo o que fazemos, sem drogas, sem violência contra nosso corpo, sem morte aparente, em plena clareza da nossa consciência. Fora do Corpo Em uma primeira etapa, vamos sair do nosso corpo físico e perceber que nossa consciência não depende do mundo material. Na Realidade, já saímos assim todas as vezes que viajamos no astral, seja de noite quando sonhamos, seja devaneando, seja vivendo sonhos despertados. Quem sai do corpo é nossa consciência, a consciência que somos. Sair do corpo consiste apenas em se desipnotizar. As sensações que vêm do corpo físico são tão fortes que nossa consciência fica hipnotizada em uma visão material do mundo. Basta um relaxamento, basta focalizar a consciência para o mundo das imagens e nos encontramos no astral. O relaxamento preliminar é imprescindível, sem esforço. Sem fazer nenhum esforço para sair do corpo, deixando acontecer sem mesmo perceber. O astral é uma imensidão. Geralmente, focalizamos nossa consciência no astral para o nível das causas, o nível das Energias que condicionam nossa vida, de maneira a conseguir uma Alquimia. Mas, podemos andar no astral imediato, mais próximo ao nível material e olhar o que acontece em Pernambuco, ou na casa do vizinho, ou em nosso corpo, ou no corpo de uma outra pessoa, ou em outro planeta, ou em outra galáxia. Viagem Interior: Lembra-se, lembra-se.
Comentário Sua
inteligência racional tem todo o direito de considerar essa aventura como uma
simples fantasia. Nossa inteligência racional foi treinada pelo mundo material
e precisa da estabilidade do mundo material para funcionar. A lógica comum pode
manipular sólidos bem definidos. Não funciona muito bem com os fluidos em transformação
permanente, confunde-se como se confundem as gotas de água, onde as leis do sim
e do não deixam de se aplicar. A matemática dos fluidos e a topologia desenvolvem
uma supra lógica reservada aos especialistas.
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Os
Segredos se escondem em nosso Mundo Interior:
Passagens Secretas
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