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NETUNO |
Netuno está tão longe que, até em um telescópio, tem uma aparência confusa, parece se dissolver nas trevas do espaço, nesse oceano de Nada onde gravitam as galáxias. Parece estar em comunhão com essa imensidão. Parece nada e parece essa imensidão. Esse Nada de que falam o Buda e São João da Cruz.
Netuno é o planeta dos místicos, o planeta da comunhão. Também é o planeta dos atores. Os atores se confundem com os personagens, deixam de ser eles para se tornarem outros. Quem inventou o teatro? Foram os gregos. Mas o teatro grego é apenas uma vulgarização dos Grandes Mistérios Gregos, e os Grandes Mistérios Gregos são apenas uma adaptação dos Mistérios Egípcios, e os Mistérios Egípcios são apenas uma sofisticação de um Mistério muito mais antigo e profundo: o xamanismo.
Um xamã se identifica com um espírito, uma inteligência da Natureza e fala com a voz dos Deuses. Assim, um ator se identifica com um/a personagem, fala com a voz do/a personagem, sente, vive o/a personagem, é o/a personagem. Depois encarna um outro papel, outro/a personagem, vive dez, quinze personagens. Acaba se perdendo em uma grande confusão. Pergunta-se: quem sou eu? Não sabe mais. Pode ser qualquer um desses personagens, não é nenhum deles.
Quem é ele? Ninguém, nada. Se ele compreendesse! Ele é ele, uma consciência sem forma, capaz de vestir qualquer forma, a forma de Júlio César, de Macbeth ou de Othelo, de uma parede como no "Sonho de uma noite de Verão" de Shakespeare, ou de uma montanha e conhecer a montanha como a montanha se conhece, ou o vento. Ser o vento e compreender o vento como o vento se compreende.
Netuno é o verbo ser. O Verbo. A fórmula para usá-lo é simples: eu sou. Eu sou o vento, eu sou o cosmos, eu sou você.
No teatro, podemos perceber como funcionam os dois hemisférios do cérebro. O espectador, com curiosidade, observa o que acontece no palco, analisa, raciocina, compreende com clareza e precisão, mas de maneira exterior e um pouco superficial. O espectador usa a metade esquerda do cérebro: a metade racional. O ator não analisa, não raciocina. Compreende os personagens sendo os personagens. Usa a metade direita do cérebro. Usar as duas metades é eficiente!
Vamos usar o verbo ser, viajar em Netuno:
Viagem Interior
Deixe,
deixe sua imaginação sonhar.
Deixe
o oceano da sua imaginação se movimentar.

Autor
desconhecido
Em plena Luz do Sol você chega a uma praia.
Seus pés nus sentem, com prazer, a areia seca,
que desliza com leveza.
Respirando essa brisa leve que vem do mar,
sentindo
o calor do Sol nas suas costas,
você
se aproxima do mar,
andando na areia úmida,
firme
sob os pés.
Entrando
na água, as ondas batem
nos seus pés, nos seus tornozelos,
essa água
um pouco fria e tão agradável, tônica.
A água chega aos joelhos e você mergulha.
Nadando nessa água que não
tem forma própria,
não tem forma própria,
você veste um corpo de golfinho,
você é um golfinho,
deliciando-se em
nadar nessa água transparente,
deliciando-se em descer profundo e subir,
pular fora da água,
mergulhar com um grande barulho.
Nadando, deliciando-se
em sentir a água deslizar ao longo do seu corpo.
Descendo, admirando a paisagem
de rochas, algas e areias,
onde
fluem cardumes de peixes multicoloridos.
Você
sai do corpo de golfinho,
entra em um cardume de peixes,
você é todos
eles,
nadando, com
tranqüilidade, com os corpos de muitos peixes.
Você é muitos peixes
nadando no prazer tranqüilo do fundo do mar,
passando através de uma floresta
de algas dispersas.
Você
é um que são muitos,
muitos que são um,
todos eles, o cardume,
sentindo pelo sentir de
cada um deles,
olhando pelos olhos de todos eles a misteriosa floresta de
algas.
E você veste
a floresta de algas.
Você é a floresta de algas,
ondulando
devagar ao ritmo das águas,
em comunhão de ritmo com as águas,
sentindo essa tranqüilidade vegetal
que você é,
sem pressa, nesse devagar vegetal,
no
ritmo natural da dança profunda das águas profundas.
Em
comunhão total com o oceano,
você dissolve suas formas,
veste o oceano,
essa imensidão de água.
Essa imensidão de água, você.
Das
profundezas até as ondas da superfície, você,
você sem forma própria,
fluindo de uma forma para
outra;
você, essa
imensa massa oceânica,
esse sentir oceânico,
esse
sentir que sente de todos os lados,
de cima, captando a Luz do dia e,
mais longe em você, ao mesmo
tempo,
captando os mistérios da noite, fluindo.
Das
profundezas, sentindo a paz das profundezas profundas,
você,
o oceano sem forma no tempo e na Eternidade.
O
oceano de água salgada,
o oceano do tempo,
divagando na Eternidade.
O oceano de consciência
que você é.
O oceano do Ser.
Além,
além. Além de qualquer forma.
Além de qualquer carma. Além
de
qualquer condicionamento.
Livre da forma.
Livre da liberdade eternal
da Eternidade oceânica que
você é.
E você se
lembra do seu corpo físico,
seu corpo humano,
e com delícia você entra
nele,
deixando todas as células do seu corpo físico se lembrarem,
se
lembrarem.
Comentário
Precisamos
usar Netuno, não devemos permitir que Ele tome nossas decisões: seria um caos,
uma confusão total. A maneira de agir das pessoas de Netuno é confusa: perdem
as chaves das suas casas várias vezes por dia, deixam qualquer um influenciá-las
e, como são muito telepáticas, deixam-se manipular, o tempo todo, por qualquer
influência que ande por aí. Saem
para ir ao cinema, mas passando em frente de uma loja entram, compram uma roupa
que nunca vão vestir: deixam o desejo de uma outra pessoa tomar decisões por elas.
Controlar o oceano
não é fácil. Controlar Netuno não é fácil. O planeta do controle é Saturno, que
estabelece limitações. Mas Netuno está mais longe do Sol do que Saturno. Netuno,
como os dois outros planetas invisíveis, está fora do alcance de Saturno. A vontade
comum, a disciplina comum, conseguem controlar muito mal a hipersensibilidade
netuniana. Mas Netuno está contido no círculo descrito por Plutão. O sistema solar
inteiro está contido na esfera de Plutão. Quando o Sol da nossa consciência ilumina
Plutão, quando as qualidades supraconscientes de Plutão se tornam conscientes,
controlamos, sem repressão, de maneira espontânea, a totalidade do nosso universo.
Os
Segredos se escondem em nosso Mundo Interior:
Passagens
Secretas
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