Uma qualidade maravilhosa está escondida no Arcano 15 do Tarô, um Arcano muito mal compreendido, até pelas pessoas inspiradas que desenharam o Tarô de Marselha. Essa figura com chifres na cabeça nada tem de diabólico. É muito antiga. Já se encontrava gravada na rocha, há 35 mil anos atrás, em uma caverna pré-histórica da França.

Um xamã dessa época se vestiu com uma pele de animal, colocou na cabeça chifres de cervo, identificou-se com um cervo, para recuperar a divina sensibilidade animal, essa total harmonia, essa unidade com a Natureza, que permite prever se o inverno será rigoroso, que permite sentir onde se esconde a manada dos cervos, para que a tribo possa caçar, matar um cervo. Poderia matar muitos cervos, mas respeitava. Precisa de um, mata um. Respeita a vida.
Fazia o que faz um ator. Imaginava-se um cervo, como um ator se imagina o rei Lear ou Othelo. Não era um animal, era um homem em comunhão com a alma dos cervos. Era muito mais do que um cervo. Era mais do que um homem comum. Era um homem inspirado.

Os gregos fizeram dessa figura o Deus Pan, o Deus da Natureza, esse Deus que toca a maravilhosa flauta de Pan. Mas, quando se acentuou a divisão entre o espiritual e o material, o material, o terrestre, foi rejeitado como inferior. A vida foi rejeitada, o senso da vida foi rejeitado. O Buda queria fugir do Universo e os cristãos fizeram dessa figura o diabo: como se a vida fosse diabólica! Como se a obra divina fosse um fracasso!

A Coroa é apenas uma sofisticação dos chifres e significa a comunicação, pelo topo da cabeça, com o Céu, o Divino, o Infinito. A comunicação do Céu e da Terra. Plutão.

Quando imaginamos chifres no topo da nossa cabeça, podemos sentir acima da nossa cabeça. Podemos sentir, acima da nossa cabeça, o céu. Podemos sentir o Infinito. Podemos sentir o Infinito da nossa consciência. Tornamos-nos consciente da nossa totalidade, espiritual, astral e material. Somos presentes no mundo real, na sua plenitude e seu esplendor.

A Coroa era feita para lembrar ao rei da sua dimensão infinita, e que para governar no plano material sem se deixar hipnotizar pelas aparências, ele devia receber inspiração e poder do seu Eu Superior. Poucos reis foram Rei. Mas sempre existiram xamãs, pessoas autenticas, capazes de curar o corpo, a alma, o destino.

Viagem Interior:
O Xamã da Pré-História.

Deixe sua imaginação viajar no Tempo.
Deixe sua imaginação sonhar,
entrar no túnel do Tempo.

 Caminhando... caminhando para chegar nessa caverna,
nesse templo da pré-história.
As tochas estão iluminando um pouco
as paredes da caverna.

 Você pega a pele de animal,
veste a pele de cervo.

Coloca na sua cabeça os chifres de cervo,
entra em comunhão com o mundo animal,
sem deixar de ser você.

  Entra em comunhão com o mundo dos cervos.
Assim, em estado de graça,
em estado de graça de cervo,

você está saindo da caverna.
Chegando na mata,
em total comunhão com a Natureza,

com o céu, com o céu em você
com a terra, com a terra em você.
Trabalhando para a tribo,
em total comunhão com a Natureza.

No ar, respirando o cheiro do inverno que se aproxima.
Percebendo... percebendo o sabor do inverno
e como o inverno será.

 Você focaliza sua atenção para a manada dos cervos.
Onde está, onde está a manada dos cervos?
Sentindo... percebendo no ar onde ela se esconde.
Você diz à tribo onde a manada se esconde.

 Uma mulher com um filho doente se aproxima de você.
Com a sensibilidade do cervo,
você sente a doença,
a doença na criança,
sente o que é.
Focalizando sua consciência para a Natureza,

para essa vida ao redor de você.
Inspirando o ar da mata,
inspirando o ar da vida e soprando sobre a criança.
Soprando seu alento sobre a criança,
para que ela possa viver.

Inspirando o cheiro da mata,
o cheiro das árvores e,

com a sua mão direita,
transmitindo a Energia da mata para a criança.

Falando com a mãe.
Dizendo à mãe que ela deve
dar um presente aos espíritos da mata.

A criança já está sorrindo.
Mas a mulher deve dar um presente
aos espíritos da mata, das árvores.

 E você começa a cantar.
Cantar para os espíritos das árvores, da mata.
Começa a cantar para o cervo,
para o cervo que os caçadores vão matar.

Cantando para pedir licença, pedir licença.
Cantando... cantando para o cervo que vai morrer,
para a tribo sobreviver.
Cantando para o vento, para o mar.
Cantando para o fogo, para a água do lago.
Cantando para a terra.
E você dança.

 Você dança a dança da terra.
Dança a dança da água.
Dança a dança dos pássaros.
Olhando a fogueira.
Inclinando-se em frente das chamas.

Cantando para as chamas.
Dançando a dança das chamas.
Dançando as chamas.
Em comunhão.
Em total comunhão com as chamas,

entra na fogueira e dança.
Dança a felicidade.
Dança a beleza do mundo.
Dança o amor.
E canta uma boa caça.

 Mas vem uma pessoa muito doente.
Você entra no mundo interior dela, entra nela.
Viaja no mundo interior dela.
É perigoso.
Tem ribanceiras, abismos.
Grandes aves de rapina, monstros.
Mas você chama seu Animal de Poder, seu aliado.
E você destrói os monstros
no mundo interior da pessoa.

Você destrói os espíritos ruins.
Morde, arranha.

Você se faz fogo, queima-os.

 E você volta, volta a ser você.
Dançando... dançando a saúde.
A pessoa se sente melhor.
Você sabe que daqui a uma Lua
ela estará totalmente curada.

Você tira os chifres da sua cabeça.
Troca a pele de cervo para sua roupa quotidiana
e você vive sua vida quotidiana.
Na mata, os caçadores estão voltando.
Amanhã você irá caçar com eles.
 Quando vem a noite,
você entra na catedral subterrânea.

Na caverna, no templo da Terra.
E o cantar dos pássaros
entra com você nas profundezas da Terra,

e a mata, o vento entram com você.
As manadas de cervos,
a cachoeira e a beleza da Natureza
entram com você na caverna,

nas profundezas da Terra.
A dança entra com você.
Sim, o cantar dos pássaros
canta nas profundezas da Terra com você.

Você traz o cantar dos pássaros
para as profundezas da Terra.

Oferece o cantar dos pássaros
até as profundezas da Terra.

Focaliza sua consciência para o Templo do Sol.
Para o você de agora no Templo do Sol.
Você é você de agora, mas você se lembra.
Você se lembra.
 

Comentário

O Arcano 15 representa Plutão. Até hoje, em muitos lugares, os xamãs usam chifres, para entrar em estado de graça, em comunhão com o Divino ao redor de nós, o Divino na Natureza. Ou eles usam um cocar, penas de águia. O céu na cabeça. Os pés na terra.

Quando você tira o Tarô e o Arcano 15 aparece, você sabe: aqui tem uma canção de poder. Aqui tem uma cura.

 

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