Arcano 13, Saturno o Tempo

O
deus da Idade de Ouro,
a Alquimia do Tempo.
Para
mim, o Arcano 13 do Tarô representa Saturno (poderia relacioná-lo
com Plutão, expresso aqui apenas minha preferência pessoal, nada
mais). Saturno, Cronos em grego, significa o Tempo. Usando Saturno, podemos nos
tornar mestres do Tempo.
A qualidade principal de Saturno é o
controle. O defeito principal de Saturno é o controle. Um excesso de controle
petrifica, torna velho, mata a espontaneidade da vida, mata. Pior, se controlarmos
o tempo todo, vamos agir conscientemente demais. Acontece que a consciência
não sabe nada. Quem sabe, quem memorizou informações, conhecimentos
e capacidades foi o subconsciente. Todos os nossos talentos se escondem na noite
misteriosa do nosso mundo interior. A consciência não sabe datilografar,
nem dirigir um carro, nem somar números, nem jogar futebol ou falar português.
A consciência é feita para focalizar um raio de Luz, de clareza,
em tal ou tal região da noite imensa do nosso subconsciente.
O
controle é feito para controlar o que deve ser controlado, o início,
deixar de continuar, parar o Tempo, e poder assim começar realmente,
despertar o talento específico de que precisamos nesse exato momento. Controlar
o entrar em estado de graça da atividade que estamos iniciando. Depois,
não se deve controlar nada, tudo vai fluir de maneira inspirada.
A arte Zen do Sumye, desenho a tinta nanquim em um papel de arroz muito poroso,
onde a minima hesitação causaria uma mancha, é uma arte espiritual
destinada a controlar o entrar em estado de graça, em estado de inspiração.
É um treinamento para usar Saturno, usar o controle, sem deixar o controle
bloquear o fluir natural da vida:
quatorzept
Interior
Imagine um Templo,
um Templo
misterioso perdido nas brumas
duma outra época, dum outro pais,
um Templo do deus da Idade de Ouro,
um Templo de Saturno, o deus da Idade
de Ouro.
Caminhando nos corredores do passado
você chega na sala
de desenho.
A sala de desenho é um Templo Iniciático.
Entre na sala com respeito.
Entrar na sala de desenho é entrar em
estado de graça.
Com cuidado, dispõe na sua frente
a folha
de papel de arroz,
o pilão para moer a pedra de tinta seca,
a
jarra de água,
o pincel.
Sente-se em uma posição
de meditação,
com a espinha vertebral ereta,
para deixar
fluir a Energia vital.
Parando... meditando...
parando o Tempo.
Tomando consciência de sua respiração,
da tranqüilidade
de sua respiração.
Parando o Tempo,
respirando a vida.
Respirando inspiração.
Com o pilão, devagar,
comece a moer a pedra de tinta.
Moer é uma meditação.
Devagar, derramando um pouco de água da jarra.
Sem pressa, com
o pilão, homogeneizando a tinta.
Pegando o pincel na mão.
Inspirando... expirando...
deixando uma imagem aparecer na sua mente,
paisagem ou rosto.
Com decisão,
com a decisão de um mestre
de pintura,
com a espontaneidade natural de vida,
você dirige
o pincel para o papel branco.
Com um único gesto de mão,
desenhando essa imagem,
deixando o fluir da espontaneidade orientar sua mão.
Sua mão percorre o papel
como um vôo de pássaro
e nasce a beleza imprevista de uma obra de arte.
Focalize sua consciência
para seu cotidiano,
entrando no seu trabalho com respeito.
Seu trabalho
é um Templo.
Entrando no estado de graça do seu trabalho.
Parando.
Dez segundos, parando... meditando.
Parando o Tempo.
E
de repente,
com a espontaneidade de um vôo de pássaro,
você inicia seu trabalho,
deixando fluir a espontaneidade da vida.
Comentário
O Tempo mata seus filhos, como deve ser. Não somos imortais, somos eternais. Morrer é seguro :-) Quando o corpo e/ou a inteligência se petrifica, torna-se velha, morrer é sadio. Morrendo poderemos ressuscitar, voltar a ser jovens. Já morremos tantas vezes e estamos aqui de novo. Para percorrer o fantástico caminho da evolução, da Alquimia, precisamos de muitas e muitas vidas. Morte e Ressurreição.
Os
Segredos se escondem em nosso Mundo Interior:
Passagens
Secretas
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